Boletim informativo 6

Boas-vindas!
Bora bater um papo sobre os temas em alta sobre inovação no setor público?
Pode ir pegando o seu cafezinho aí ☕ – a gente te espera – porque o assunto é:
Mudanças no uso da Inteligência Artificial.

Estamos de volta para falar de um dos temas mais discutidos nos últimos tempos:
Inteligência Artificial (IA)!🤖

Com a evolução da tecnologia, novas plataformas de Inteligência Artificial avançam a todo vapor. No entanto, o uso de IA do tipo generativa é o mais utilizado pelas pessoas pela capacidade de realizar pesquisas e criar novos conteúdos, como textos, áudios, imagens, vídeos e até códigos de software em questão de segundos. Liderando esse ramo, uma plataforma tornou-se familiar na vida profissional e pessoal das pessoas: o ChatGPT.
Mas o que explica a popularidade no uso de ferramentas como esta? E, mais importante, como discutir seu uso de forma ética e segura dentro dos órgãos públicos?
No boletim informativo deste mês, nós vamos destrinchar melhor os motivos por trás do sucesso desse tipo de IA e entender o debate sobre a regulação dessa tecnologia no Brasil. Vamos lá?
Uso do ChatGPT ao longo do tempo ⏳
Será que as pessoas usam a ferramenta da mesma forma?
Spoiler: a resposta é não!

O novo estudo do National Bureau of Economic Research (NBER) analisou como as pessoas utilizam o ChatGPT no cotidiano. O estudo examinou o consumo da ferramenta desde o seu lançamento em novembro de 2022 até junho de 2025, quando a plataforma atingiu mais de 700 milhões de usuários ativos semanais. Isso quer dizer que cerca de 10% da população adulta global utiliza a ferramenta no dia a dia, seja para questões pessoais ou para fins profissionais.

Fonte: esquema visual adaptado de dados do artigo do National Bureau of Economic Research (NBER) sobre “Como as pessoas usam o ChatGPT”, publicado em Setembro de 2025.
A principal conclusão apontada pelo relatório é que o uso pessoal tem aumentado ao longo do tempo, comparado ao uso relacionado ao trabalho. Em junho de 2024, as mensagens não relacionadas ao trabalho correspondiam a 53% do uso dos usuários. Já um ano depois do mesmo mês, esse uso saltou para 73%. Segundo o estudo, o uso relacionado ao trabalho é um indicador de grupos demográficos específicos, sendo mais comum entre usuários com níveis de escolaridade mais elevados.
Dentre os principais usos, o estudo aponta que, antes, o ChatGPT era usado majoritariamente para resumir e escrever textos. Atualmente, o principal uso da plataforma representa mensagens de orientações práticas, como conselhos sobre como fazer algo, busca por ideias criativas e ajuda com saúde física e mental. A segunda atividade mais comum é a busca por informações, mostrando a capacidade que a ferramenta tem de se tornar um substituto direto para a busca tradicional na web. Se antes era comum “dar um Google” para buscar uma informação, hoje em dia se tornou mais prático realizar essa pesquisa diretamente na plataforma, principalmente com a versão mobile na palma da mão.
Tendo em vista esses resultados, podemos identificar três principais motivos para a popularidade de ferramentas semelhantes ao ChatGPT:
- Habilidade de simular conversas humanas: ferramentas de IA generativas como o modelo da OpenAI interagem de forma conversacional, utilizando linguagem simples para auxiliar em tarefas, funcionando como uma espécie de assistente virtual. Essa habilidade também permite que o uso seja mais acessível para pessoas que possuem mais dificuldades de utilizar Inteligência Artificial.
- Praticidade e agilidade para tarefas do cotidiano: essas ferramentas possuem a capacidade de reunir um compilado de pesquisas em poucos segundos na mesma plataforma, sem a necessidade de abrir diversas abas na web. A disponibilidade em dispositivos móveis facilita consultas rápidas (no transporte público, por exemplo).
- Evolução da ferramenta e uso aprimorado das pessoas: à medida que a ferramenta avança, também avança a forma como as pessoas a utilizam. Novos recursos técnicos não só criam novas possibilidades, como também exigem e incentivam que as pessoas dominem novas formas de uso.
Você sabia?🔎
Apesar da Inteligência Artificial ser uma tecnologia útil nas atividades do dia a dia , essas ferramentas também podem apresentar falhas. Chamamos de Alucinação de IA quando as informações fornecidas são incorretas, enganosas ou “inventadas”, mesmo que pareçam lógicas e coerentes. Isso acontece quando o modelo tem poucas informações sobre o assunto, interpreta mal um prompt (comando) ou possui dados de treinamento insuficientes ou desatualizados.
Para saber mais sobre esse termo, assista ao Reels no nosso Instagram @LAB.ges.
Brasil e Inteligência Artificial
O Brasil está entre os países que mais utilizam o ChatGPT no mundo. Um estudo inédito da OpenAI, aponta que o país ocupa a 3ª posição global no uso da ferramenta, com o levantamento de que os brasileiros enviam mais de 140 milhões de mensagens por dia à plataforma. Muita coisa, né?

Fonte: esquema visual adaptado dos dados do relatório da OpenAi, divulgado em Agosto de 2025.
Percebendo o aumento do uso de ferramentas de IA no país, o Governo Federal lançou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028, visando regulamentar e expandir essa tecnologia em um período de quatro anos, com o objetivo de garantir a soberania nacional e a democratização do acesso a essas ferramentas e solucionar problemas de governo. Além disso, o plano prevê um investimento exclusivo de cerca de R$ 1,76 bilhão em IA para melhoria dos Serviços Públicos no Brasil.
A IA já é utilizada no serviço público em diversos setores, seja para:
- Automatizar tarefas repetitivas;
- Analisar dados e gerar relatórios;
- Cruzar informações para detectar fraudes ou otimizar processos administrativos;
- Responder dúvidas frequentes dos cidadãos, conhecidos como chatbots (software que simula conversas humanas para automatizar tarefas como atendimento ao cliente).
regulação da IA

Perguntamos à assessora parlamentar no Senado Federal e advogada especialista em regulamentação da Inteligência Artificial, Tainá Junquilho, sobre a importância de discutir a regulação dessa tecnologia no serviço público brasileiro. Segundo a especialista, a regulamentação é essencial porque a IA traz uma série de riscos, como vazamento de dados, violação de direitos autorais e vieses discriminatórios que exigem uma avaliação rigorosa tanto de quem utiliza a ferramenta quanto da legislação que administra a tecnologia.
A advogada explicou que não há legislação em vigor acerca deste tema, no entanto foi aprovado pelo Senado e está tramitando na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 2338/2023, que visa estabelecer um marco regulatório para o desenvolvimento e uso de inteligência artificial no Brasil pensando numa lógica de riscos.
“ Quanto mais arriscado o sistema, mais rigor deve seguir, mais aspectos de governança e transparência. E quanto mais baixos [os riscos], menos deveres de governança ”, explicou a especialista.
O PL nº 2338 também traz medidas de governanças especiais para situações que a administração pública aplica ou desenvolve sistemas de inteligência artificial, a fim de estabelecer deveres como transparência e publicidade no uso dessas ferramentas e a proibição de sistemas discriminatórios, de modo que o cidadão compreenda como essas soluções são empregadas.
“ A disciplina da regulação traz responsabilização, enfim, traz direitos e deveres para quem participa do ciclo de desenvolvimento da IA. ”, destaca Tainá Junquilho.
Enquanto a regulação é discutida, aqui estão alguns cuidados necessários para prestar atenção antes de usar a IA no setor público, de acordo com o Guia de IA para Servidores Públicos (disponível abaixo):
- Verificar se os dados gerados podem conter preconceitos implícitos, discriminatórios ou representações inadequadas;
- Lembrar de não utilizar dados exatos da instituição ou órgão nas ferramentas de IA;
- Sinalizar quando o material foi feito por Inteligência Artificial em documentos institucionais;
- Não usar o e-mail institucional para acessar um serviço de IA, sem a devida aprovação.
Respeitando a legislação e as boas práticas institucionais, o uso da IA fica mais seguro!
Como o Estado capacta as pessoas servidoras públicas
para o uso de IA? 🤷🏽♀️
O Mestre em Políticas Públicas e professor de Inteligência Artificial na Escola de Serviço Público do Espírito Santo (ESESP), Eduardo Pinheiro, explicou que a ESESP exerce um papel fundamental na transformação digital do Estado, oferecendo cursos, oficinas e programas de desenvolvimento voltados à democratização do acesso à Inteligência Artificial. Essas capacitações são ministradas por especialistas e buscam preparar as pessoas servidoras públicas para lidar com os novos desafios tecnológicos, incentivando o uso responsável das ferramentas digitais e fortalecendo a cultura da eficiência e inovação dentro da administração pública capixaba.
Eduardo reforçou que capacitar servidores que têm maior dificuldade com novas tecnologias é essencial para garantir inclusão digital e equidade no serviço público e destacou que a transformação digital só é efetiva se todos participarem dela.
“Ao oferecer capacitação acessível, prática e contínua, o Estado promove confiança, autonomia e valorização profissional. Isso evita que parte do quadro fique excluída das inovações e assegura que todos possam contribuir para um governo mais moderno, eficiente e centrado no cidadão”, comentou o especialista.
Quer saber mais? Acesse o site da ESESP no botão abaixo.

Para encerrar, perguntamos à Inteligência Artificial “como escrever um boletim mais legal que o nosso” e ela nos respondeu:

Gostou desse blocão de conteúdo?
Responda a este e-mail contando para a gente como foi sua experiência lendo o #6 Boletim Informativo do LAB.ges!
A gente aguarda ansiosamente sua opinião!💜
CAIXA DE FERRAMENTAS 🔧

Serviço Público:
O Governo Federal, por meio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), publicou uma cartilha com orientações sobre o entendimento e uso responsável das ferramentas de Inteligência Artificial para pessoas servidoras públicas.

Artificial (PBIA) 2024-2028
Por meio do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), O Governo Federal lançou em 2024 o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial como uma iniciativa que visa o desenvolvimento e aplicação responsável da inteligência artificial no Brasil.
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É hora de dar tchau 👋
Este é o sexto boletim informativo do Laboratório de Inovação na Gestão (LAB.ges) da Secretaria de Gestão e Recursos Humanos (SEGER).
Por aqui, vamos conversar sobre as últimas notícias do universo da inovação no setor público. Você também vai encontrar uma curadoria de oportunidades, cursos e dicas de ferramentas úteis para o seu dia a dia no trabalho. E, claro, não vão faltar novidades sobre o que andamos fazendo aqui no LAB!
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Ah, pode deixar que a gente não vai lotar sua caixa de e-mail, tá?
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Manda um e-mail para a gente no: labges@seger.es.gov.br
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